Discurso do presidente de honra marcou solenidade de posse da nova diretoria
Convidado a participar da mesa onde já estavam o presidente do conselho deliberativo Wagner Faria e o presidente do conselho diretivo reeleito, Raul Marcos, o presidente de honra do Clube, Antonio Felippe Deccache dividiu com os presentes algumas de suas memórias sobre o passado do clube e justificou ter sido o primeiro a votar a favor da reeleição do presidente Raul.
A história do presidente de honra no clube começou em 1943, quando aos 13 anos admirava o time do então Fluminense Atlético Clube.
-Estudávamos no colégio modelo e todo fim de aula às 4 horas de terças e quintas feiras, saíamos disparados pelo largo do expedicionário, deixando cair livros, lápis e borrachas, pra ver um simples treino da equipe fantástica do Fluminense. Os tempos passaram e nós fomos cimentando esse amor.
Ele entrou para a equipe juvenil em 1944, e seguiu jogando no time até os 19 anos. Como jogador, ele teve ainda passagem pelo time do Esperança, até retornar para assumir a presidência do clube em 1970. Deccache aceitou prontamente o convite para o cargo. “Achei que estava na hora de devolver um pouco do que havia recebido.”
Sua gestão foi responsável pela construção do estádio Eduardo Guinle, o que lembra com muito orgulho:
-Conseguimos financiamento de 700 mil reais do governo federal para a construção do Eduardo Guinle, 400 mil reais da secretaria de esporte do estado do Rio para a construção de um estádio atlético, e através do Almirante Heleno Nunes, ex presidente da Confederação Brasileira de Desportos, 2400 sacos de cimento para fazer as arquibancadas. É por isso que temos ciúmes disso. Às vezes não temos por mulher alguma o ciúmes que temos pelas nossas obras, brincou.
Deccache revelou sua preocupação durante gestões anteriores, quando o patrimônio do clube esteve ameaçado de penhora, por dívidas.
-Hoje eu vejo com satisfação o clube saldar suas dívidas e por isso fiz questão de vir dar o primeiro voto da reeleição ao nosso presidente Raul Marcos.
Ele apóia a criação do centro de treinamento, uma das metas para o próximo triênio e vê nisso uma grande saída para clubes pequenos. “Sem um espaço onde se possa desenvolver talentos, não se vai longe.”
O presidente de honra terminou seu discurso falando sobre o desapontamento com o desinteresse do poder público.
-Eu uma vez fui ao Amazonas (...) fui à uma importadora que era próxima a uma loja de loteria esportiva. Dois homens saíram de lá conversando com um bilhete na mão, falavam sobre o Friburguense, um time que despontava no Rio de Janeiro. Olhem até aonde o nome do clube foi parar! O Friburguense é o maior indutor da publicidade da cidade de nova Friburgo. E o que o poder público faz a respeito? Enquanto em Volta Redonda a prefeitura constrói um estádio para entregar ao time e em Campos dos Goytacazes a prefeitura financia a folha de pagamento, aqui em Nova
Friburgo o Friburguense se sustenta exclusivamente dos próprios esforços.
Deccache trouxe consigo um vídeo editado no ano de 1996, quando em comemoração pelos 75 anos do clube, foi feita uma exposição no Centro Cultural de Nova Friburgo. Nessa ocasião, todos os troféus conquistados pelo time puderam ser conhecidos pela comunidade. Esse vídeo foi entregue à diretoria para ser somado ao patrimônio histórico do clube.
Autor: Priscilla Franco e Vinicius Gastin