imagem - Friburguense Atlético Clube

21/08/2011 - Especial do Acesso: A Tragédia

Sensibilizado com as chuvas que devastaram Nova Friburgo, Frizão abraçou a cidade

Doze de janeiro de 2011. O Friburguense seguia a preparação para um dos maiores desafios de sua história, retornar à elite do futebol carioca. Depois de uma semana de folga no fim do ano, os jogadores mantinham o ritmo intenso de treinos. Nesta data, o tricolor viajaria para Campos, onde enfrentaria o Americano em jogo amistoso.


Um dos principais pontos turísticos da cidade, o Teleférico ficou desfigurado

No entanto, na madrugada anterior, uma chuva torrencial durou cerca de sete horas. Mesmo com toda a preocupação e certeza de que não era uma precipitação comum, ninguém poderia imaginar as consequências daquela inundação. Na verdade, até hoje, ninguém foi capaz de calcular todo o prejuízo.


Cenário de guerra no pós-tragédia em Nova Friburgo

Ao sair pelas ruas de Nova Friburgo, as imagens da devastação. A pacata e aconchegante cidade parecia palco de uma grande guerra. De fato, se não foi, sentiu na pele os efeitos como se tivera vivido uma grande batalha. Pelas ruas, lama, água, destruição. Dor. Impressionaram os olhares fundos das pessoas. Pareciam não pensar em nada. A imagem da perplexidade sob o que estava à altura dos olhos, antes somente visto em filmes. Friburgo acordou sem luz, água, telefone e internet. Sobretudo, amanheceu sob o ensurdecedor barulho de sirenes e helicópteros. Rotina que se manteve por mais de um mês e mudou para sempre a história do município.


Imagens como esta ainda impressionam

Aos poucos, os serviços foram sendo reestabelecidos. Nos canais de TV e rádio, informações que chocaram o mundo. A cada dia, o número de mortos subia consideravelmente nas regiões atingidas pelas chuvas. Nova Friburgo, a cidade mais afetada, chorava a dor da perda de centenas de filhos.


Frizão dividiu estádio com helicópteros e bombeiros durante uma semana

Imediatamente, o Friburguense Atlético Clube abriu as portas em prol da solidariedade. O ginásio Helena Deccache se transformou em depósito de roupas e donativos. O gramado do Eduardo Guinle, acostumado à correria dos atletas, foi palco do corre-corre dos bombeiros. O estádio serviu como base para pouso e decolagem de helicópteros, que transportavam comida e esperança às vítimas da tragédia. Na casa do tricolor, pousaram diversas autoridades estaduais e federais, como a presidente Dilma Roussef.



Em meio ao sofrimento de um acontecimento trágico, a oportunidade de devolver um pouco de alegria à cidade. No dia 19 de janeiro, o Friburguense retomou a rotina de treinos, dividindo o espaço do Eduardo Guinle com os militares. O gerente de futebol do clube, José Siqueira, o Siqueirinha, falou sobre a responsabilidade tricolor e a possibilidade de devolver o sorriso ao rosto dos friburguenses.


Ministra Maria do Rosário (camisa azul) foi uma das autoridades que pousaram no Eduardo Guinle

"Pode até parecer frio este tipo de comentário, mas a vida continua. Falei com os atletas que o trabalho deles, profissionalmente, sempre foi de trazer alegria. O futebol, no fundo, é um lazer. No momento, não vamos poder oferecer isso. Mas eles terão uma responsabilidade maior, pois o povo de Friburgo precisa de alegria".


Friburguense cedeu estrutura para ajudar nos trabalhos emergenciais

No próximo capítulo do Especial do acesso, a preparação do tricolor serrano pós-tragédia.

Veja a entrevista do gerente de futebol Siqueirinha, em 20 de janeiro:

Autor: Vinicius Gastin e Matheus Oliveira

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