Após a tragédia que devastou a Região Serrana, Friburguense volta aos treinos, buscando retomar a rotina e seguir se preparando para a disputa da Série B
Após o temporal de 12 de janeiro de 2011 que devastou Nova Friburgo e resultou em centenas de mortos e desabrigados,era necessário retomar a rotina e se recuperar do baque. Assim como toda a cidade, foi o que fez o Friburguense, logo após o ocorrido. A equipe ficou toda a semana pós-tragédia, sem treinar e a reapresentação foi marcada para dia 19 de janeiro.
Com poucos danos sofridos em sua estrutura física, a maior dificuldade do Frizão foi entrar em contato com o grupo de jogadores, por causada precariedade dos serviços de comunicação que Nova Friburgo enfrentava neste período pós tragédia. Sobre este contato com o elenco o gerente de futebol Siquerinha, explicou qual era a situação do momento: "Não recebemos nenhuma notícia de que nosso elenco tenha sido afetado. Boa parte dos jogadores mora na capital, mas não conseguimos falar com todos. Os sinais dos celulares aqui estão muito ruins e não temos notícias de todos".
Além disso, com o Estádio Eduardo Guinle, servindo como pista de pouso para helicópteros do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar que levavam mantimentos para as famílias necessitadas e com o ginásio Helena Decache sendo utilizado para receber mantimentos de todo o país, foi necessário paciência e força de vontade, para voltar a rotina e manter o foco dando sequencia a preparação para a Série B do estadual. Pois o elenco, assim como toda a cidade, teve perdas tanto físicas quanto materiais. Exemplos disso foram o volante Lucas, que perdeu a sogra na tragédia e o técnico Edson Souza, que teve o carro levado pelas chuvas.
Gramado do Eduardo Guinle,se tornou pista de pouso para helicópteros que levavam mantimentos para as famílias atingidas pela tragédia
O Tricolor Serrano também precisou fazer um grande esforço na hora de treinar, pois devido com a estrutura do clube a serviço da cidade, a equipe teve de treinar por dez dias, atrás dos gols do Eduardo Guinle e na academia do clube, para que o time mantivesse a forma e pudesse realizar um bom papel na segunda divisão estadual.Nesta época, Siqueirinha falou sobre a preparação da equipe, sobre mesmo com todas as dificudaldes, permanecer na cidade para realizar os treinamentos e sobre como o Frizão poderia ajudar a cidade: "O momento é de ajudar e essa é a prioridade. Mas a idéia é permanecer aqui, fazer um trabalho com os jogadores juntamente à comunidade. Temos também atletas de Friburgo que não gostariam de estar distante dos familiares neste momento. Vamos tentar criar uma estrutura e permanecer na cidade até a nossa estréia no Carioca".
Confira na íntegra a entrevista de Siqueirnha ao site oficial:
Também ouvimos os jogadores, que falaram o que sentiram ao ver a cidade devastada. O preparador de goleiros, Adriano, falou sobre a sua reação com toda esta tragédia e sobre o futebol poderia ajudar a recuperar a alegria da cidade: "Após viver tanto tempo em Nova Friburgo, adquiri uma admiração grande pela cidade e um respeito imenso pelas pessoas que moram aqui. E depois de ver todas essas cenas de destruição, bate uma tristeza, e acabamos ficando comovidos com o drama do povo. Mas agora é vida que segue, é hora de erguer a cabeça e ajudar as pessoas que precisam. O grupo está muito dedicado para dar alegria a esse povo. Quem mora aqui não está deixando o lado pessoal influenciar no trabalho, e todos estão procurando trabalhar da melhor maneira possível para colocarmos o Friburguense na primeira divisão novamente".
Quem também falou sobre o ocorrido em Nova Friburgo foi o lateral direito Sergio Gomes: "Essa tragédia vai ficar marcado na história da cidade, para quem mora aqui não tem como esquecer. Mas agora vemos o esforço do país inteiro ajudando a nossa cidade e Nova Friburgo tem tudo para ser até melhor do que era. Ficamos para baixo com toda essa tragédia, mas temos que tirar forças em meio a isso tudo para que dentro de campo possamos passar alegria aos nossos torcedores. Junto com a reconstrução da cidade, buscaremos esse acesso para ajudar a levantar a auto-estima da cidade".
Jogadores do Frizão mostraram força de vontade para encararem as dificuldades do período pós tragédia
O próximo capítulo do especial do acesso falará sobre a solidariedade que tomou conta do Frizão no período pós-tragédia.
Autor: Vinicius Gastin e Matheus Oliveira